Reaças

24/11/2009 por Chico Cougo

PORTO ALEGRE (blergh) – Reacionários e direitosos existem por toda a parte, mas em Rio Grande esta fauna parece viver em habitat natural. Nunca vi cidade com maior número de prostitutas travestidas de anjos, gente enrustida pela carapaça da “democracia social” que, explicitamente, considera Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales “comedores de criancinhas” inveterados. Macarthistas de carteirinha, capazes de apregoar a Ditadura Civil-Militar brasileira como algo “não tão ruim assim”, ditabranda, nas palavras de um jornaleco qualquer por aí.

Pois digo isso, porque me espantou ver a dimensão que um simples convite para a atividade de lançamento do livro “Dossiê Ditadura – Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)”, em Rio Grande, tomou. Divulguei o evento onde pude, inclusive na famigerada comunidade orkutiana “Rio Grande – A Cidade”, aquele famoso lugar de gente muito boa, mas que, como tudo, também é freqüentado por maus-caracteres, a escumalha defensora de aberrações diversas.

Claro que a divulgação da palestra não passou incólume aos moralistas de cuecas. Houve quem dissesse que o Araguaia foi um “piquenique” dos comunistas, que são todos uns “FDP” e atrocidades afins. Argumentei que os defensores da moral e cívica verde-oliva encontrariam na palestra que ocorreu hoje, na FURG, um palco preparado para um belíssimo debate com quem pode argumentar contra o pensamento reacionário, mas, claro, todo mundo se disse muito ocupado para debater, etc e tal. Como sempre, no Orkut todo mundo é macho.

Pelas pinceladas aqui e ali, pude ler que a palestra do Enrique Padrós, da Suzana Lisboa e da Criméia Almeida foi um sucesso, sem reaças para encher o saco e atordoar o debate. Ainda bem! Só o que me deixa irrequieto é esse péssimo caráter papareia de não querer discutir a ditadura, como se ela não tivesse ocorrido e – pior ainda – como se alguns dos nomes que até hoje bancam de “personalidades rio-grandinas” não tivessem participado ativamente do terror que foram aquelas décadas de autoritarismo.

Oxalá eu possa assistir e auxiliar na reconstrução da historiografia da minha cidade, de forma a fazer aquilo que meus renomados “mestres” (aqueles figurões da universidade local, principalmente) se negam: ouvir, pesquisar e desvendar o que foi a Rio Grande dos milicos. Os documentos estão aí, brotando. E quando eles vierem à tona (o que não vai demorar muito), muita gente vai ter que guardar sua mentalidade reacionária em casa. Bem escondidinha.

Blogosferando

23/11/2009 por Chico Cougo

PORTO ALEGRE (tempo feio) – Tem blogueiro novo na área! O nome da figura: Leandro da Costa, o meu irmão de História, amigo íntimo, pai da Marina, marido da Deka, baterista de pura sepa e historiador dos bons. Leandro – cuja alcunha de “Beiçola” ou “Gordo” é corriqueira entre seus amigos mais próximos – lançou nesta semana o Batucando no cotidiano e na História (ou Batucadas e História, segundo o endereço), um espaço onde ele pretende discutir temas diversos sob a óptica de um historiador-baterista (ou baterista-historiador, como queiram).

Acho que todo “gente boa” que tem algo de bacana a dizer para o mundo deve ter um blog. Por isso, fico muito feliz que meu amigão Leandro esteja entrando nessa (ele se encaixa em 100% no perfil do “gente boa” com algo a dizer).

A blogosfera te deseja sorte, Gordo!

PS: Batucando no cotidiano e na História pode ser acessado neste link ou, aqui no Memórias, sempre na barra lateral ao lado, junto aos meus “recomendados”.

Em terras papareias

22/11/2009 por Chico Cougo

PORTO ALEGRE (me ajudem a divulgar isso!) – Papareias queridos, meu recado é para vocês. Amanhã, dia 23, o meu mestre Enrique Padrós vai estar em Rio Grande, no lançamento do livro “Dossiê Ditadura – Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)”. A obra não é dele, mas sim da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Por isso, além do lançamento vai acontecer também uma palestra/bate-papo com Suzana Lisboa e Criméia Almeida, representantes da Comissão e sobreviventes da Ditadura (Criméia lutou no Araguaia; Suzana foi militante da esquerda e teve seu marido, Luiz Eurico Tejera, assassinado pela “Redentora”).

O evento vai acontecer no Campus Carreiros da FURG, lá no glorioso Pavilhão 4 (Sala 427). É amanhã, às 19hs, depois das aulas da historiada toda (cliquem na imagem do cartaz para ampliá-la).

Macanudo (2)

21/11/2009 por Chico Cougo

PORTO ALEGRE (la milonga entre magnates) – Ontem foi a vez da Lidi, com sua “Coluna da Lidi”. Hoje é a vez deste que vos bloga, com a “Coluna Mano a Mano”. No América Macanuda, por certo. Pode parecer estranho que eu, o próprio dono do blog, tenha uma “coluna” nele (perguntar-se-ão: pra quê, tu é o dono da bagaça!? Os textos vão ser quase todos teus mesmo!). Porém (sempre há um porém), não é bem assim. O “projeto América Macanuda”, como já falei antes, é um tantinho mais ambicioso. Se sim, serei o blogueiro-mor, não, aquele não será um blog essencialmente “meu”. Aos poucos, pretendo trazer novos colaboradores, gente qualificada que, através de seus textos, cumpra com os objetivos da página. E neste ínterim (gosto de “neste ínterim”), eu serei apenas mais um dos contribuintes da coisa toda.

Além disso, o América Macanuda tem todo um outro lado de “agenda”, com divulgação de eventos, programas de TV, notícias etc. e tal. A parte de análise, o resenhômetro, como venho chamando, compõe uma parcela, mas não o todo do projeto. Assim, é melhor que eu tenha o meu espacinho bem definido. Senão vira bagunça (e pra fazer bagunça eu tenho o Memórias).

Bueno, sem mais delongas, a “Coluna Mano a Mano” de hoje fala da esperada expansão fonográfica da música macanuda argentina no Brasil. Leiam, discordem, opinem, enfim, aproveitem a democracia internética!

Ah, antes que surja a dúvida: escolhi “Mano a Mano” como nome da coluna, porque sou perdidamente apaixonado pelo tango gravado por Gardel e pela zamba de La Sole que levam esse mesmo nome. Sem falar que a expressão é bem comum aqui no Brasil.

Coisinhas (36)

21/11/2009 por Chico Cougo

Como diz a juventude do meu Brasil varonil: “Beijomeliga!

Macanudo

20/11/2009 por Chico Cougo

PORTO ALEGRE (adelante!) – Já está no ar a “Coluna da Lidi”, novíssimo espaço do América Macanuda, estreado hoje pela minha amiga (e agora colaboradora do espaço macanudo) Lidiane Silveira. A Lidi, que também é autora do ótimo Todos Juntos, vai escrever uma vez por semana lá no América. Seu primeiro texto conta um pouquinho da história de El cosechero, uma das canções mais gravadas destes confins.

O que, ainda não conhece o América Macanuda? Ah, pára! Corre lá e lê os textos que já foram publicados. Comente, também! Dê sua sugestão para nossa jovem e (espero!) promissora empreitada na blogosfera. Terça-feira, o América completou uma semana de vida e pouco mais de 150 visitas. Parece pouco, mas o crescimento diário é de quase 200%! E vai aumentar muito mais, com novidades, conteúdos exclusivos etc e tais.

Macanudo, não?

Vovô no History Channel

19/11/2009 por Chico Cougo

PORTO ALEGRE (mas parece Manaus) – Bien, meio estranho não postar todos os dias, mas eu acho que vou me acostumar (dependência é fogo!). Negócio é o seguinte: me informa o grande mestre Gersão que – apesar da desclassificação na Arthur Dallegrave, domingo passado – meu querido Sport Club Rio Grande será a atração principal do programa Detetives da História, do canal norte-americano History Channel. Segundo o site do clube, a equipe da emissora chegou a Rio Grande no dia 14 (gravariam com os torcedores do clube dia 15, mas não encontrei nenhuma informação sobre isso).

Parece que o History vai contar a história do Mais Velho em atividade no Brasil, vão mostrar os bastidores dos jogos, a paixão dos torcedores, as dependências do clube, essas coisas. Tomara que o documentário fique bacana, porque Rio Grande e o Rio Grande (a cidade e o clube) merecem. Depois deste excelente 2009, uma projeção dessas pode alavancar o clube para a luta pela Segundona 2010. Detetives da História, versão “Vovô Matador”, deve ir ao ar em janeiro do ano que vem, em exibição mundial.

Te mete com o Velho, heim?!

Desobrigado

17/11/2009 por Chico Cougo

PORTO ALEGRE (vai dar trabalho) – Ando meio desconsertado (ou seria desconcertado?): tenho muitas ganas de escrever aqui no Memórias, mas às vezes vou até metade de um texto e logo me arrependo do tema escolhido, das palavras empregadas, do meu jeitão de escrever e… BAH, QUE DROGA! Assim mesmo, em maiúsculas, o que no internetês significa que estou gritando.

Escrever todos os dias num blog, mesmo que num blog seja pessoal, não é fácil. Ainda mais para alguém como eu, um rotineiro, um cara que vive pouquíssimas emoções, que passa seus dias atrás dos livros ou da tela de um computador “fabricando” uma dissertação e – agora – estudando para os afamados concursos públicos. Sobressaltos na minha vidinha pacata só mesmo em casos extremos, como na viagem para Bagé, ou nos shows que assisto aqui em Porto Alegre. Tirando isso, me viro do jeito que posso escrevendo sobre trivialidades, ou então acerca dos meus devaneios.

Esta é, aliás, a fórmula que me segura no mundo blogosférico, já que eu gosto de escrever sobre assuntos diversos. O problema é que, às vezes, parece haver um certo esgotamento nisso, uma baita dificuldade de achar coisas interessantes no meio da mesmice. Para a minha sorte, não sou o único que sofre desse mal. Ontem, por exemplo, fui surpreendido pelo desabafo do Ivan Capelli (não, ele não tem o mesmo nome do italiano que pilotava a March nos anos 90, este é apenas o seu pseudônimo!), autor do Blog do Capelli. Ivan, de quem sempre fui fã, é o cara que me fez ingressar no mundo dos blogs, três anos atrás, com o Revivendo Teixeirinha. Eu gostava tanto de ler o blog do cara – que é sobre Fórmula 1 – que acabei fazendo um para mim também.

No texto de ontem (leia aqui), Capelli se queixou das dificuldades de manter seu blog, do quanto acha que a Fórmula 1 “acabou” (não concordo com ele, mas vá lá) e das necessidades de renovação, já que sua página – antes uma das raras sobre o tema – virou apenas mais um dos tantos espaços que discutem o esporte mais caro do mundo. Mesmo não tendo exatamente o mesmo problema do Capelli, não pude deixar de concordar com suas palavras no quesito “dificuldades de manter um blog”. Como já disse, é duríssimo sustentar uma página com coisas novas e interessantes (e o encerramento do Revivendo Teixeirinha, ano passado, já tinha me provado isso).

Bueno, estou dando mil voltas e talvez o leitor já tenha enchido o saco, portanto vou arrematar. Este meu texto tem como único propósito anunciar que, a partir de hoje, estou me desobrigando das postagens diárias. Eu não vou abandoná-los e isso é certo (eu adoro isso aqui), mas quero tirar de mim mesmo a obrigação de postar todos os dias. E como esta página tem de 100 a 150 visitas por dia, penso que é, no mínimo, respeitoso mantê-los a par dessa minha decisão. Entonces, agora vai ser assim: quando eu tiver um bom texto para publicação, publico. Quando não, não publico. Simples e indolor.

Fechado?

Rádio Chico

16/11/2009 por Chico Cougo

PORTO ALEGRE (tô ferrado) – Hoje dei início aos acordes finais de CantaMeuPovo, com o arremate dos dois últimos capítulos e a “perfumaria” em geral (capa, formatação, fotos etc.). No fundo eu vou sentir falta dessa dissertação, porque ela me ocupa um baita tempo, me joga naquelas crises todas, me exige tudo, mas – no final – sempre rende frutos bacanas. Essa é a vantagem de se trabalhar num tema gostoso como esse, afinal.

Bueno, na conclusão do trabalho, a cena dos três primeiros minutos aí do “Rádio Chico” vai entrar. Na realidade, a cena imediatamente anterior a essa aí, um diálogo à beira da grande piscina. O contexto é interessante: Teixeirinha e Mary são convidados para uma chique recepção da alta sociedade porto-alegrense. Lá pelas tantas, uma convidada afirma não gostar das canções da dupla, preferindo a “Música Popular Brasileira”. Seguindo o script, Teixeirinha tasca, em tom de deboche: “Mas a minha música é popular e é brasileira”. Depois, para provar a afirmação, ele e sua parceira cantam o samba Tristeza (na verdade, Mary canta a composição de Teixeira). É um sambão, aliás. E foi gravado duas vezes, uma para um LP convencional e outra como playback para o filme (versão que acabou saindo no disco-trilha do longa-metragem também).

Ah, quem quiser assistir a todo o vídeo também poderá acompanhar outro playback, o Improviso nº1, gravado exclusivamente para o longa. As tomadas que aparecem nos cinco minutos finais do vídeo foram gravadas nos estúdios da extinta TV Piratini (afiliada da Rede Tupi), canal 5 de Porto Alegre, onde hoje fica a TVE (lá no Morro Santa Tereza). Por mostrar os bastidores da TV, Ela tornou-se freira (do qual estas cenas fazem parte) pode ser considerado um filme literalmente histórico!

O Rio Grande e o futebol-verdade

15/11/2009 por Chico Cougo

PORTO ALEGRE (ano que vem tem mais!) – O Rio Grande tinha uma pedreira pela frente: segurar o Ypiranga, segunda melhor campanha da Copa Arthur Dallegrave, no Colosso da Lagoa (Erechim). No primeiro jogo das quartas-de-final, no Arthur Lawnson, semana passada, o Vovô vencera por 2×1. Empate ou derrota por um gol de diferença serviam para o mais velho do futebol brasileiro.

Há mais de 70 anos o Rio Grande não ganha um grande título, algo que poderia ser motivo de piadas (e às vezes é), mas que – no sentimento dos torcedores apaixonados – pouco importa. Hoje, excursões saíram de Rio Grande para prestigiar aquele clube pequeno, pobre, do interior que, apesar do PIB que tem, é sempre considerado miserável, um câncer que queima a parte ítalo-germânica “progressista” do Rio Grande do Sul.

Aquele atrevido centenário… Conseguiu o que ninguém imaginava, que foi fazer um gol no seu adversário “nível Série A”. E teria ganhado a partida e se classificado, não fossem essas desventuras tão típicas do futebol. Essas infelicidades chamadas exatamente “gol do adversário”. O Ypiranga fez três gols no Rio Grande, sim. O feriu, mas não o matou. Ninguém mata o Rio Grande, e seus 109 anos têm sido exemplares em relação a isso. A classificação para as semifinais, tão sonhada, não veio. Mas, não há o que lamentar.

Dentro e fora das quatro linhas, o Sport Clube Rio Grande deu um exemplo de superação nesta Copa. Mobilizou a comunidade papareia e conseguiu inaugurar um moderno sistema de iluminação; venceu jogos históricos, em casa ou em caldeirões adversários; fez o riograndino simples andar novamente com a camisa tricolor, sorridente, pelas ruas; pôs novamente a cidade na rota das grandes decisões do futebol estadual.

Certo dia, depois de uma grande vitória do Rio Grande, o Paulo Olmedo encontrou, voltando para casa, o Mano Garcia, goleador do Vovô na competição. Mano, segundo o próprio Olmedo, lhe disse, meio sem jeito, que o Rio Grande ganhara mais uma. O jogador só revelou ter sido o autor de um dos gols quando questionado por seu interlocutor. Ambos moram na Vila da Quinta, interior do município, e voltavam para casa. De ônibus. Nada mais futebol-verdade! Longe dos refletores da fama, dos carrões e das marias-chuteira, Mano e os outros jogadores do Rio Grande fazem o seu papel, jogam o seu futebol, divertem-se, se engajam na luta para fazer do interiorano e pequeno Vovô do Futebol, um clube grande e campeão.

Todos nós queríamos a Taça Arthur Dallegrave no Memorial da Avenida Itália. Eu, um ex-gremista, que compreendeu à tempo que o futebol bonito e verdadeiro é o do interior (repito: longe do glamour, do fanatismo e da marmelada empreendida por torcedores e cartolagem), embora triste pela derrota do Rio Grande – o meu time, que tem o nome da minha terra –, estou, ao mesmo tempo, muito feliz por ter visto tanta gente animada pelos jogos e pelo desempenho do clube. Ano que vem tem mais, nosso amado Mais Velho tem muito chão pela frente e a equipe formada tem qualidades inegáveis. Como diz aquele clássico jargão gaúcho, “não podemo se entregá pros home”. E o Rio Grande nunca se entrega!