PORTO ALEGRE (blergh) – Reacionários e direitosos existem por toda a parte, mas em Rio Grande esta fauna parece viver em habitat natural. Nunca vi cidade com maior número de prostitutas travestidas de anjos, gente enrustida pela carapaça da “democracia social” que, explicitamente, considera Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales “comedores de criancinhas” inveterados. Macarthistas de carteirinha, capazes de apregoar a Ditadura Civil-Militar brasileira como algo “não tão ruim assim”, ditabranda, nas palavras de um jornaleco qualquer por aí.
Pois digo isso, porque me espantou ver a dimensão que um simples convite para a atividade de lançamento do livro “Dossiê Ditadura – Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)”, em Rio Grande, tomou. Divulguei o evento onde pude, inclusive na famigerada comunidade orkutiana “Rio Grande – A Cidade”, aquele famoso lugar de gente muito boa, mas que, como tudo, também é freqüentado por maus-caracteres, a escumalha defensora de aberrações diversas.
Claro que a divulgação da palestra não passou incólume aos moralistas de cuecas. Houve quem dissesse que o Araguaia foi um “piquenique” dos comunistas, que são todos uns “FDP” e atrocidades afins. Argumentei que os defensores da moral e cívica verde-oliva encontrariam na palestra que ocorreu hoje, na FURG, um palco preparado para um belíssimo debate com quem pode argumentar contra o pensamento reacionário, mas, claro, todo mundo se disse muito ocupado para debater, etc e tal. Como sempre, no Orkut todo mundo é macho.
Pelas pinceladas aqui e ali, pude ler que a palestra do Enrique Padrós, da Suzana Lisboa e da Criméia Almeida foi um sucesso, sem reaças para encher o saco e atordoar o debate. Ainda bem! Só o que me deixa irrequieto é esse péssimo caráter papareia de não querer discutir a ditadura, como se ela não tivesse ocorrido e – pior ainda – como se alguns dos nomes que até hoje bancam de “personalidades rio-grandinas” não tivessem participado ativamente do terror que foram aquelas décadas de autoritarismo.
Oxalá eu possa assistir e auxiliar na reconstrução da historiografia da minha cidade, de forma a fazer aquilo que meus renomados “mestres” (aqueles figurões da universidade local, principalmente) se negam: ouvir, pesquisar e desvendar o que foi a Rio Grande dos milicos. Os documentos estão aí, brotando. E quando eles vierem à tona (o que não vai demorar muito), muita gente vai ter que guardar sua mentalidade reacionária em casa. Bem escondidinha.
PORTO ALEGRE (tempo feio) – Tem blogueiro novo na área! O nome da figura: Leandro da Costa, o meu irmão de História, amigo íntimo, pai da Marina, marido da Deka, baterista de pura sepa e historiador dos bons. Leandro – cuja alcunha de “Beiçola” ou “Gordo” é corriqueira entre seus amigos mais próximos – lançou nesta semana o 
Como diz a juventude do meu Brasil varonil: “Beijomeliga!“
PORTO ALEGRE (vai dar trabalho) – Ando meio desconsertado (ou seria desconcertado?): tenho muitas ganas de escrever aqui no Memórias, mas às vezes vou até metade de um texto e logo me arrependo do tema escolhido, das palavras empregadas, do meu jeitão de escrever e… BAH, QUE DROGA! Assim mesmo, em maiúsculas, o que no internetês significa que estou gritando.
PORTO ALEGRE (ano que vem tem mais!) – O Rio Grande tinha uma pedreira pela frente: segurar o Ypiranga, segunda melhor campanha da Copa Arthur Dallegrave, no Colosso da Lagoa (Erechim). No primeiro jogo das quartas-de-final, no Arthur Lawnson, semana passada, o Vovô vencera por 2×1. Empate ou derrota por um gol de diferença serviam para o mais velho do futebol brasileiro.
... Historiador, professor, “rato” de arquivo e piloto virtual. Nasceu em Rio Grande, no longínquo 1987, e diz que não morre sem ver um brasileiro campeão de F1. Torce pelo Sport Club Rio Grande, vovô do futebol nacional. É fã de Carlos Gardel e Soledad Pastorutti, mas desenvolve pesquisas sobre a vida e a obra do gaúcho Teixeirinha. Atualmente, vive em Porto Alegre, revirando porões empoeirados, descobrindo o mundo da música ao vivo e acariciando o tempo, aquele “tesoro, que se roba sin sentir”. Email: chicocougo@gmail.com
