PORTO ALEGRE (Bate um aperto) - Se me perguntassem qual é o maior fenômeno editorial da História (com h maiúsculo mesmo), eu diria apenas um nome: Adolf Hitler. E creio que não se trata de exagero. Façam a experiência que já fiz inúmeras vezes: visitem uma banca de revista qualquer e observem a quantidade de títulos relacionados ao ditador nazista. Se nunca perceberam quantas revistas dedicam capa e conteúdo ao chefe alemão, certamente se surpreenderão.
Hitler povoa o mercado editorial (pelo menos o latino-americano) como ninguém. Ninguém mesmo! Duvido que Pelé, Madonna, Michael Jackson, Elvis Presley ou George Bush – para ficar em alguns parcos exemplos – tenham ocupado ¼ do número de publicações que Hitler já ocupou. Toda vez que visito uma banca, fico de queixo na mão observando a impressionante leva de revistas (algumas delas números especiais sobre o dito “anticristo”) com o baixinho do bigodinho na capa. E os títulos são os mais esdrúxulos: “A vida secreta de Hitler”; “As amantes de Hitler”; “O homossexualismo de Hitler”; “Hitler morreu?”; “As últimas horas de Hitler”; “Hitler gostava de repolho?”. E por aí vai…
Na real, acho que o ser humano – no fundo, no fundo – vê em Hitler a prova máxima de até onde podemos ser bárbaros (bárbaros no mau sentido). O nazismo foi, em tudo, uma coisa inexplicável. Matou milhões, gerou um genocídio mundial, criou símbolos que pareciam ter saído de algum filme de ficção e alimentou-se de imagens grotescas, dentre as quais, a do “führer” (tentativa de personificação de um semideus invencível e inabalável). Foi, talvez, o mais impressionante movimento de massas já criado pela Humanidade.
Tanto foi que continua sendo. O Hitler “fenômeno editorial” é um reflexo do fascínio que o nazismo criou em todo o mundo. Se as revistas continuam falando com furor de alguém que morreu há mais de 60 anos, este é um sinal de que ainda existem muitos curiosos sobre o tema. Curiosos e seguidores. Gente que vê no poder do ditador um exemplo do quanto alguns seres humanos sobressaem-se sobre outros. Não que os compradores destas revistas sejam este tipo de pessoa. Mas que elas existem, existem. E alimentam-se deste tipo de material.
Enfim, eu não sei muito sobre os porquês da predileção das editoras por Hitler. É uma questão que me inquieta, mas que não tenho como explicar. Dizer que Hitler “vende” é coerente, mas não sei até que ponto é esclarecedor. Talvez uma pesquisa acadêmica séria pudesse desvendar alguns pontos interessantes sobre isso. De qualquer forma, o mítico Adolf segue por aí, estampado em páginas (e capas, principalmente capas) sensacionalistas. Como se estivesse vivinho da Silva.